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Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

28.09.19

O Nosso Primeiro Encontro

15 anos de amor incondicional


Maresia

Meu Francisco,

Hoje, decidi imortalizar o nosso primeiro encontro na palavra escrita. Esta é também uma memória tua, para reviveres e recontares.

Há 15 anos, estava pronta para te receber. Ou melhor, a rebentar para te conhecer. A tua já grandeza e superpoderes começavam ali... Confesso que receava a qualquer momento, ao mínimo toque, rebentar qual balão sob pressão.

Não querias sair do aconchego e o médico, ao fim de dezenas de observações e ponderações, lá decidiu que precisavas de uma ajudinha. E dia 28 de setembro de 2004, lá estava eu. 9 da manhã! Finalmente, pensava... Esperei horas para que o meu corpo desse sinal e já a tarde avançava, quando fomos para a sala de partos. Mas, depois de uma horripilante epidural, 40 semanas depois, quebrei pela primeira vez... Lembro-me da máscara de oxigénio, de dizerem que os teus batimentos cardíacos baixaram, do teu pai desaparecer, de não conseguir falar e de, pela primeira vez na vida, querer dar a vida por alguém, de querer gritar que o que interessava eras tu, só tu!!!

Com 25 anos, recém-estreados, nada nem ninguém me preparara para aquelas horas. Ia ser cesariana... Não esquecerei o voo da cama pelos corredores, o bater das portas de ferro, o não saber o que iria acontecer... Sozinha, com o tempo a roubar os efeitos das anestesias, não foi certamente o momento mais fácil desta vida e tu, que me conheces (tão bem, que me conheces!), imaginas o sofrimento e os impropérios que saíam de mim. Puxavam, esticavam, não passavas... Lá está, ninguém tinha previsto a tua grandeza. E depois do que pareceu uma eternidade, com o relógio daquela parede branca a marcar 17h55, lá arranjaram maneira e arrancaram-te de mim. Ouvi-te e chorei compulsivamente. A pediatra disse que já irias comer caldos de couve e o meu médico, aliviado pelo final feliz, veio ternamente acalmar-me e fazendo-me festas no cabelo segredou-me que fora a maneira de avisares que por parto natural não irias sair. Naquele momento, nas palavras dele e no meu coração já eras um herói. Não te consegui logo tocar, abraçar, encostaram-te ao meu rosto e eu beijei-te loucamente. Tu foste para os colos que te esperavam lá fora. A minha viagem ainda demoraria algumas horas... Queria muito estar contigo, mas para isso tinha que ficar bem... Cerca das dez da noite, agarrei-te para a vida, para não mais te largar. O meu coração soltou-se de mim para ti. Não há palavras que descrevam o sentimento que me inundou. Uma mãe nasceu contigo, naquele dia. E 15 anos depois...És tanto!!! És grande!!! És grandeza!!! Seremos sempre amor nosso, canções nossas, histórias nossas, momentos especiais só nossos...

Parabéns, filho!!!! Amo-te muito!!!!

Mãe

 

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