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Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

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21.02.21

A porta


Maresia

Sentada no espaço vazio, na sua reconfortante cadeira de braços, esperava... a porta encostada, convidava uma brisa fresca de esperança a entrar, um fio de ouro e luz iluminava o dia e o sonho. O silêncio apenas era cortado por alarmes falsos de passos e vozes roucas que seguiam o seu destino. Esperou. O sonho fez-lhe companhia quase até ao fim. Mas depois... depois veio o inverno. A brisa revoltada, tornou-se inquieta, gelada e cortava-a na pele. Adoeceu. Os dias escureceram, o sol partiu para outras paragens. Em noites de luar, ainda parecia escutar passos...
Pouco antes, talvez numa última vã ilusão, ouviu chamar o seu nome. Mas não arranjou forças para responder de volta e apenas as lágrimas ousaram reclamar a desilusão. E quando chegou a hora, findado o tempo perdido, avançou levemente para a saída. De mão dada à áspera maçaneta, puxou a perra porta com todas as forças que lhe restavam. O estrondo quebrou-a num último estilhaço. Rodou a velha chave e partiu.
Junto ao velho carvalho, ouviu três pancadas fortes...seria...não olhou para trás. Na fonte do largo, lançou a chave e lavou o rosto...para sentir um findo arrepio de vida. Seguiu o caminho, o das estrelas.

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